As Igrejas
Batistas Independentes no Brasil têm sua origem no trabalho da Missão de Örebro*, Suécia, com a chegada do missionário Erik Jansson em
1912. Era a resposta ao veemente apelo de colonos suecos residentes no
município de Guarani das Missões, RS.
A história das Igrejas Batistas Independentes é dividida em quatro fases:
• Pioneira -
desde a chegada de Erik Jansson e outros missionários suecos que
desenvolveram seu trabalho na região de Guarani das Missões (RS) implantando
igrejas e escolas;
• Evangelização Regional - além dos missionários suecos, Deus começou a
vocacionar obreiros nacionais. Neste período, as maiorias das cidades
maiores do Rio Grande do Sul foram alcançadas;
• Missões Nacionais e Além das Fronteiras - com a organização da Convenção
das Igrejas Batistas Independentes em 1952, frentes missionárias foram
abertas em quase todos os estados da federação. Além disso, o trabalho se
expandiu para o Paraguai, Peru e Portugal;
• Reestruturação - a partir de 1988 foram organizadas as Convenções
Regionais. Através delas são atendidas as necessidades de cada região.
A Missão de
Örebro uniu-se em 1997 a duas outras denominações batistas e adotou
internacionalmente o nome InterAct.
Nossas Origens: A Missão de Örebro
Em 1845, nasceu
na Suécia John Ongman, filho de gente humilde, mas trazendo
de berço o grande e nobre ideal de servir a causa de Deus no mundo.
Aos dezenove anos, teve uma gloriosa experiência de sa1vação, convertendo-se
ao Senhor e sendo batizado num buraco aberto no gelo, no dia 4 de março de
1864, numa aldeia ao norte da Suécia.
Chamado por Deus para obra missionária,
depois de ter servido corno pastor em sua terra natal e entre os imigrantes
suecos na América do Norte, o Rev. John Ongman fundou e organizou a Örebro
Missionsforening com a finalidade de enviar missionários para evangelização
de terras estrangeiras, ligando assim, o seu nome ao dos pioneiros das
missões modernas.
A Missão de Örebro nasce com a finalidade
de somar forças a favor da evangelização pátria e do trabalho transcultural.
Várias igrejas locais, pertencentes à Convenção Batista Sueca, se unem neste
esforço e dão apoio às iniciativas de Ongman. A cooperação entre estas
igrejas se concretizava em várias áreas, como o ensino teológico, o trabalho
com crianças e jovens, a evangelização e fundação de igrejas na Suécia e o
envio de missionários para o exterior.
Três aspectos caracterizaram a missão de Örebro, desde o princípio:
1) Forte ênfase
em missões, sendo este o objetivo principal da cooperação entre as igrejas
que integravam o quadro da missão.
2) Aceitação do movimento carismático/pentecostal com incentivo à
experiência de “batismo no Espírito Santo”.
3) A abertura para o ministério feminino. Desde as escolas bíblicas,
iniciadas em 1892, e o Seminário Teológico, em 1908, havia um espaço
reservado para as mulheres se prepararem. Inicialmente, foram aceitas para o
trabalho de evangelistas e missionárias, mas na década de 60 também para a
função pastoral.
Enquanto Ongman viveu, havia uma forte
liderança que mantinha o movimento dentro do seio da Convenção Batista
Sueca. Ongman fez parte da diretoria da Convenção por muitos anos e era
respeitado pela liderança denominacional, apesar de sua linha carismática.
Após sua morte, no entanto, não foi possível manter a sociedade missionária
dentro da Convenção e, em 1937, houve uma ruptura, dividindo a denominação
em duas partes iguais. Metade das igrejas continuaram com a Convenção
Batista Sueca e a outra metade organizou definitivamente a Missão de Örebro
como uma denominação própria.
Ao longo dos anos, e principalmente nas
últimas décadas, tem havido uma reaproximação entre as duas denominações e
vários projetos comuns estão sendo realizados.
Campos Missionários
Como vimos, a
primeira tentativa, já em 1894, não deu certo. Em 1908, o casal Sjõgren é enviado para a India, onde inicia o primeiro trabalho da
missão que existe ainda hoje.
Segue o envio de Erik Jansson para o Brasil
em 1912, e de sua futura esposa Anna Malm e de outro missionário, Carl
Svensson, em 1914. O próximo passo foi à República do Congo, na África,
também no ano de 1914, e a República Centro Africana em 1923.
No ano de 1996, antes de fundir-se com duas
outras missões, que mencionaremos abaixo, a Missão de Örebro tinha 130
missionários em mais de 30 países, em todos os continentes do globo.
Situação Atual
Em 10 de janeiro
de 1997, a Missão de Örebro fundiu-se com duas outras
missões de origem batista e de linha pentecostal: a HF (Helgelsefórbundet -
Aliança de Santificação) e a FB (Fribaptisterna - Batista Livre). As duas
tinham surgido logo antes da Missão de Örebro, na segunda metade do século
passado. A nova denominação, oriunda desta fusão, chama-se intencionalmente
de lnterAct, sendo que o nome na Suécia é Nybygget - Kristen Samverkan (Nova
Construção - Cooperação Cristã).
A InterAct agrega hoje 390 igrejas locais e
soma em torno de 29.000 membros. Possui 180 missionários em mais de 40
países e coopera com organizações nacionais e internacionais em todos os
continentes.
Visão e estratégia missionária
A ênfase em
missões transculturais tem sido uma das características mais
fortes da Missão de Örebro durante toda a sua existência, e é algo mantido
também na nova estrutura. A visão missionária é incutida nas crianças desde
a Escola Dominical e passa pelos diferentes grupos das igrejas locais. Toda
a igreja tem o seu envolvimento em missões e, geralmente, o seu próprio
missionário.
Por ocasião do Congresso Mundial de
Evangelização em Lausanne, na Suíça, em 1974, houve grande participação da
missão antes, durante e após o evento. A declaração de Lausanne tornou-se o
lema principal do trabalho nestes últimos 20 anos: “Toda a Igreja levando
todo o Evangelho a todo Homem em todo o Mundo”. A declaração inclui também
princípios que norteiam a atividade missionária tanto evangelístico como
social.
Numa necessária adequação à realidade de
nossos dias, a interasse tem trabalhado com a elaboração de uma estratégia
missionária, que pode ser resumida nas seguintes palavras:
1. Visão Holística - a atuação a favor de um evangelho integral onde todas
as necessidades do ser humano são vistas, tanto na área espiritual como
social, material, física etc;
2. Mudança de Foco - uma mudança de investimentos missionários, tanto de
recursos financeiros como de obreiros, diminuindo a participação em campos
onde já existe uma forte igreja nacional, e aumentando o envio para as áreas
menos evangelizadas, como a Janela 10-40, onde há muitos povos não
alcançados.
3. Globalização - acompanhando as tendências mundiais de aproximação entre
os países e as culturas, trabalhando com boa tecnologia, onde é possível, e
dando espaço para uma flexibilidade em termos de categoria de missionários.
Isto inclui, por exemplo, uma participação mais ativa dos chamados
“fazedores de tenda”, profissionais que vão para um país fechado ao
evangelho ou carente de mais obreiros.
4. Cooperação - num reconhecimento da diversidade do corpo de Cristo e na
necessária busca de parceria para alcançar o mundo com o evangelho.