Corria o ano de 1810. Nessa época, Gustavo 1, assumindo o trono sueco,
desapropria os bens da Igreja Católica Romana, fazendo com que a Suécia,
país situado na porção oriental da Península Escandinava, rompesse, assim,
relações com o Vaticano e estabelece o Luteranismo como religião oficial do
Estado.
Nesse país, na linda província de Jamtland, nasce, a 15 de novembro de 1845,
John Ongman. Embora tenha nascido num lar bastante pobre, John herdou de
seus pais uma esmerada educação religiosa através do preceituário luterano,
sem que isso viesse, contudo, a configurar em sua formação genuinamente
evangélica. Os primeiros sintomas vocacionais revelados na vida desse menino
se manifestam aos seus dez anos ser clérigo da Igreja Luterana. Mesmo
vivendo num país evangélico por tradição, o jovem Ungiam vê o tempo passar
sem que pudesse concretizar seu ideal, talvez por falta de estimulo da
família, ou por falta de recursos para estudar John começa a viver,
portanto, uma vida normal como qualquer outro menino: trabalhar desde cedo
para ajudar no sustento da família, e nos momentos de lazer ocupa-se com a
pescaria, nas noites de verão, ou a andar de esquis nas montanhas durante o
inverno. Aos 17 anos Ongman ingressa na carreira militar, profissão de seu
pai e de seu avô.
A vida profissional e a relação com sua família corriam normais para John;
contudo, ele não estava plenamente satisfeito. Havia algo dentro de si que
aspirava por valores transcendentais aos humanos: sua relação com Deus. Em
1864, domingo pela manhã, Ongman visita um velho amigo de infância. Esse
amigo era crente e aproveitando-se da oportunidade, fala de Jesus a Ongman -
as palavras do amigo penetram em seu coração - John Ongman converte-se ao
Senhor Jesus. No dia 4 de março desse mesmo ano é batizado nas águas pelo
pastor Sven jonsson, da Igreja Batista, em Kovra. O ato batismal realiza-se
num buraco aberto no gelo; isso, porém, não é obstáculo a quem vive num país
cuja temperatura chega a 150C, no inverno.
John Ongman, um pregador
Após a conversão e batismo, renasce em sua vida o sentimento de infância:
ser pregador da Palavra de Deus. Agora, porém, com uma diferença: não mais
por uma simples carreira profissional herdada de seus ancestrais, mas por
uma convicção firme de que realmente Deus queria usá-lo a fim de ganhar
almas para Cristo. Suas primeiras experiências nesta nova fase de vida
revelam-se em formas especiais: certa ocasião realizava-se uma boda na casa
onde residia: pedindo licença aos convidados lê a narrativa do “Filho
Pródigo”, e fala sobre o amor de Cristo. Noutra ocasião, ao passar por um
local onde estava sendo realizado um baile, falou aos dançantes sobre um
desastre ocorrido nas vizinhanças e concitou os jovens a pensar em sua
relação com Deus. Através dessas experiências iniciais, Ongman sente em sua
vida que Deus estava separando-o para o Santo Ministério da Pregação do
Evangelho.
A Igreja de que Ongman passou a fazer parte como membro entendeu plenamente
que Deus tinha um plano para esse jovem e muito fez a fim de que o seu dom
fosse despertado. E no ano de 1866, John é separado como pregador.
Iniciava-se, dessa forma, o ministério cristão de um homem a favor de
homens, cuja extensão e valor somente os céus poderão revelar.
John Ongman rumo aos Estados Unidos da América
A 14 de maio de 1868, Ongman embarca em direção aos Estados Unidos da
América. Na América, Ongman imediatamente se faz conhecer e é convidado a
pastorear uma pequena congregação da Igreja Batista. Nesse tempo, a exemplo
do apóstolo Paulo, precisa trabalhar em atividades extra-eclesiais para
garantir o seu sustento, mas no ano seguinte, isto é, 1869, a igreja dá-lhe
condições para dedicar-se exclusivamente ao trabalho do Evangelho. Estando
ainda na América, serve a Convenção Batista Sueca de Minnesota,
especialmente como missionário entre os escandinavos. Em maio de 1873, The
American Baptist Home Mission Society, convida-o para começar um trabalho
entre os suecos que estavam em Saint Paul.
Nesse mesmo ano organiza a Igreja
Batista, em Saint Paul, com 12 membros, e, ao regressar à Suécia em 1890,
contava a Igreja com algumas centenas de membros e um majestoso templo.
Enquanto Ongman se dedica ao pastorado das igrejas batistas nos Estados
Unidos, sente a necessidade e o valor de uma vida cristã abundante,
passando, então, a adotar uma nova ideologia eclesiástica: levar os crentes
a ter experiências profundas com Deus.
Ongman, Pastor da Igreja Batista Batel de Örebro
Ongman, aceitando o convite da Igreja Batista Betel de Orebro, deixa os
Estados Unidos em 1890, e regressa à sua terra natal, Suécia. Estando ainda
latentes em sua vida as experiências que gozara com Deus na América, Ongman
procura levar a Igreja de Örebro a entender esta realidade. Para ele duas
coisas eram fundamentais ao sucesso da igreja do Senhor aqui na terra: o
batismo com o Espírito Santo e um aprimorado conhecimento das Escrituras
Sagradas. Assim sendo, no ano de 1891, ao se realizar a 12a.Convenção
distrital das Igrejas Batistas propôs a essa assembléia a criação de uma
escola bíblica mista. Os batistas se opuseram; não podiam aceitar a
participação numa escola bíblica de pessoas do sexo feminino, pois isto
poderia se configurar também na aceitação de mulheres no ministério cristão.
Ongman provou através de seus argumentos apoiados na Palavra de Deus que a
mulher tem uma importante missão a cumprir no sacerdócio divino. A idéia é
aceita, e Deus revela sua vontade através dos planos de seu humilde e
dedicado servo. Daí para frente, as escolas bíblicas destinadas aos
professores da Escola Dominical, pregadores do Evangelho e aspirantes às
missões nacionais e estrangeiras passam a ser uma realidade sistemática na
Suécia.
Ainda nesse mesmo ano, Ongman consegue que sua igreja programe uma série de
conferências destinadas aos crentes, com a finalidade de levá-los a uma vida
mais rica com Deus, estimulada na edificação espiritual. De todas as partes
da Suécia chegam os crentes anelantes por um avivamento dos céus. Deus os
atendeu - a Suécia experimentou algo sobrenatural - os crentes são batizados
com o Espírito Santo. O servo de Deus é usado para o fortalecimento da fé de
seus seguidores.
Os anos que o pastor Ongman permaneceu frente ao trabalho da Igreja de
Õrebro foram de verdadeiro reflorescimento espiritual e de avanço na
conquista de almas para Cristo. Também datam dessa mesma época as duas
maiores realizações educacionais e missionárias de Ongman: a criação da
Junta Missionária de Õrebro e a Escola Missionária de Õrebro.
Junta missionária de Örebro
A Junta Missionária de Õrebro (Õrebro Missionsforning), hoje,
Órebromissionen, organizada em 1892, por 25 membros da Igreja Batista de
Õrebro, é uma Instituição que tem por finalidade a promoção do evangelismo
nacional e também estrangeiro. A Junta de Õrebro, não é, portanto, uma
“Confederação Evangélica com igrejas coordenadas sob sua direção. É
simplesmente um órgão para manter o trabalho evangélico na Pátria e no
estrangeiro, dando prioridade aos países vizinhos”. As igrejas que
geralmente cooperam com a Junta, ou que nela têm um órgão mediador para sua
missão no estrangeiro são, via de regra, igrejas Batistas independentes. A
Junta Missionária de Õrebro, surgindo de um começo humilde e despretensioso,
veio corroborar com o sentimento unânime de que os batistas são um povo
ligado à mentalidade missionária. Deus, abençoando o ministério do seu
servo, salva almas na Suécia e os nossos irmãos, que de graça receberam, de
graça também desejaram dar.
Escola Missionária de Örebro
A história da Escola Missionária de Õrebro está relacionada com os grandes
avivamentos que entre os anos 1890 e 1907 atingiram a Suécia, especialmente
Õrebro. Os jovens crentes compenetrando-se a respeito de sua
responsabilidade de evangelizar e, ao mesmo tempo, sentindo a carência de um
conhecimento mais sólido das Escrituras Sagradas, pedem a Ongman um estudo a
respeito do assunto. As escolas bíblicas, que vinham sendo realizadas a
princípio de três semanas e finalmente de cinco, satisfaziam a situação
atual e regional, mas não eram os suficientes para um ministério efetivo,
integral. Dessa forma, Ongman, acatando a idéia apresentada por esses
jovens, encaminha o parecer à reunião da Junta, que a aprova. A 15 de
setembro de 1908, as dependências da Igreja Filadélfia servem para a aula
inaugural dessa abençoada escola e Ongman é eleito seu diretor.
As Igrejas Batistas Independentes na Suécia
Com a dimensão espiritual que Ongman, por direção divina, procurou implantar
na igreja de Örebro, houve uma corrente que se opôs às suas ideologias,
optando pela preservação dogmática do ensino anterior. Uma outra corrente
aquiesceu às doutrinas ensinadas por Ongman. Não sendo possível a
conciliação dessas duas facções, e diga-se, a bem da verdade, única e
exclusivamente por questão do batismo com o Espírito Santo, uma centena de
membros solicitou carta demissória da Igreja Betel de Õrebro, para formarem
a 2a Igreja Batista Filadélfia de Õrebro. Ongman, aceitando o pastorado
dessa nova igreja, nela permaneceu até o ano de 1917.
Durante todo esse tempo Ongman não se desligou da Convenção Batista de
Estocolmo, nem mesmo a 2a Igreja Batista Filadélfia. Somente no ano de 1937,
portanto, seis anos após a morte de John Ongman, é que a igreja Filadélfia e
mais 70 igrejas se desligaram da Convenção Batista de Estocolmo, formando,
assim, a Convenção Batista de Örebro.
John Ongman morre
Dia 28 de fevereiro de 1931, sábado pela manhã, os jornais e todos os meios
de comunicação se encarregaram de noticiar a morte de John Ongman. O bravo
soldado, grande batalhador, doutrinador sábio, pastor zeloso, amigo sincero,
chefe de família compreensivo e missionário de visão - morre. Ao ser
recolhido ao Lar Celestial contava com a avançada idade de 85 anos, três
meses e três dias e mesmo assim jamais se mostrara cansado. A longa e
espinhosa carreira de sacerdócio divino serviu para rejuvenescer sua vida,
haja vista que na noite anterior ao seu falecimento esteve lecionando na
Escola Missionária de Örebro fundada por ele mesmo. A morte ceifou seu
corpo, mas sua obra continua imortal.